O dia em que Rio Preto enlouqueceu
Publicado terça-feira, 2 de fevereiro de 2016


O POLÊMICO ENCONTRO DOS MOTOCICLISTAS DE 1983 ONDE “RIO PRETO ENLOUQUECEU”

Ano de 1983, a “moda” de uma “gang” no país, era uma tal “xispada nua”.

Não sei bem, se coisa pós movimento hippie, “tropicália”, se criada por estudantes, malucos, sei lá o que, mas os “distúrbios” aconteciam nas capitais e algumas cidades paulistas de porte médio, como Sorocaba, Campinas, Santos e Ribeirão.

O “desafio maluco”, era dirigir um carro ou pilotar uma moto, em alta velocidade, completamente nu nos “points” das cidades.

Em Rio Preto, até o mês de Abril de 1983 nunca havia acontecido a tal “xispada”, até que uma “meia dúzia” de motociclistas residentes de fora, tiraram as roupas e pilotaram suas máquinas completamente nus, pela Avenida Alberto Andaló, a principal via, “cravando” entre a “gang”, “a primeira xispada nua de Rio Preto”. Uma “glória” entre eles.

A “xispada” foi por volta das 22 horas e durou pouco mais de cinco minutos, tempo suficiente para surgir dezenas de viaturas policiais dispersando os “arruaceiros”. Ninguém foi preso, muito menos enquadrado. Isto aconteceu em um sábado que antecedeu o domingo do dia do “VII Encontro Nacional e Missa dos Motociclistas”.

Após o incidente, o resto da noite do sábado foi de “calmaria”, não havendo mais “xispada nua” ou algo parecido.

Agora, no domingo... a “coisa ferveu”.

No momento em que milhares de motociclistas assistiam a tradicional missa campal no “Recinto de Exposições de Animais”, um grupo de rapazes da “gang” arremessou para o alto, através de uma lona estirada, um homem nu anunciando a “xispada” do dia. A missa, literalmente, terminou ali.

O Padre Jarbas Brandini, celebrante oficial, fez um “sermão” fora do contexto e encerrou a missa rapidamente. Em seguida, o tumulto tomou conta do local.

Houve corre corre, algumas pancadarias, tive filmes “seqüestrados” e velados. Salvei apenas um, de sorte, o da foto postada.

Depois das “xispadas”, a promotoria de justiça local proibiu para sempre novos encontros.

A foto do filme “salvo”, deixei guardada em meus arquivos por 5 anos. Depois desse tempo, participei de salões internacionais e obtive vários prêmios.

A imagem só chegou a ser publicada na imprensa de Rio Preto em 1990. “Foi um choque”, pois ninguém sabia que o filme existia e muito menos, nele, a imagem polêmica.

Continua acontecendo anualmente na cidade, as missas dos motociclistas, sempre com muita ordem e sem nenhuma arruaça, jamais nas dimensões dos encontros realizados durante os anos 80, onde motociclistas lotavam hotéis, restaurantes e lanchonetes. Barracas tomavam terrenos e praças, ruas ficavam intransitáveis e sons ensurdecedores dos motores adentravam a madrugada, fora os graves acidentes.

A melhor definição sobre o “VII Encontro Nacional e Missa dos Motociclistas” de Maio de 1983, foi dada através do título da extensa matéria publicada, com muitas fotos, pela “Revista Duas Rodas”, a principal revista de motociclismo da época, que dizia: “O dia em que Rio Preto enlouqueceu”.

E que dia, finalizo!

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