As torres "Paris, Roma, Rio" em construção e a história do "Maestro"
Publicado quarta-feira, 9 de abril de 2014


 

Meu primeiro carro, foi um “Simca Esplanada” de cor vinho ano 1968. Era um carro da família. Estava conosco desde 1968. Usei-o exclusivamente, no período de Junho de 1970 até final de 1973. Na época, além de estudar, eu era músico. Tocava bateria no “The Cats” e posteriormente, “Grupo Apocalipse”.

Constantemente, saía de carro com o pessoal da banda, para curtir a cidade.

Na maioria das vezes, tinha problemas mecânicos e o carro parava. Ora fervia, ora afogava. Acabar o freio, era uma constante. Tinha de “bombar” o pedal, para frear. Mesmo assim, tudo era festa. Tinha até luz negra em seu interior. O carro recebeu o apelido de “maestro”. Isto mesmo, “maestro”, pois só dava conserto.

Certa vez, cansado em busca de peças para o carro, já que não fabricava mais, coloquei-o à venda. Não apareceu nenhum interessado. Anunciei nos jornais e nada.

Pedia um preço abaixo do mercado, pois sua coroa e pinhão, restaurada várias vezes, estava “cantando” e uma nova era quase o valor do carro.

Certo dia, apareceu um corretor de imóveis me oferecendo, em troca do carro, uma ponta de terreno. Segundo o corretor, ficava entre as Ruas Raul Silva, Penita e Avenida Andaló. Não entendi bem sua localização, muito menos sua estranha e pequena metragem.

Fui “in loco” observar o tal terreno e me deparei com um bico de terra abrigando um galinheiro e uns porcos. Uma “coisa” totalmente fora dos padrões legais e de mercado. Brinquei dizendo: “aqui não dá nem para fazer uma casinha de cachorro”. O corretor retrucou: “é um terreno irregular mas estratégico. Se você quiser construir uma casa é impossível, mas um dia, alguém vai querer comprar o quarteirão de baixo e ele está encravado no meio desses outros três terrenos que ficam de frente à Avenida Andaló. É questão de tempo para valer muito dinheiro”.  Mesmo assim, não me convenci e continuei com o velho carro.

Final da história. Depois de muito tempo, consegui vender o carro a um agricultor de Fronteira, MG, pelo preço equivalente a uma coroa e pinhão nova.

Passaram uns anos e o bico do terreno foi comprado pela “Empresa Rilo SA”, de São Paulo, fechando uma gleba, para que fosse possível construir na Avenida Andaló, as torres  de edifícios, “Paris, Roma, Rio”.

“De birra, mas com bom humor”, fui até lá e fiz uma foto de sua construção. Durante muito tempo, contei esta história que poderia ter sido o “maior concerto” do “maestro”. Só não foi, porque eu não acreditei na visão do corretor de imóveis.

Um detalhe: No final da construção das torres, visitei uma decorada. Gostei e acabei comprando uma unidade. Fui um dos primeiros moradores. Morei lá durante quatro anos. É um “baita” prédio. Além de bem construído está em um lugar privilegiado e de alta valorização.

Quando o vendi, só no lucro obtido, daria para comprar dois novos “maestros”.

A foto postada, é de um negativo colorido que, apesar de seus 38 anos de idade e muito desgastado, ainda pode ser positivado.

Comentários - 1
10/04/2014 - Stefano De Marco - Poxa, que bacana Toninho...foto de 76, correto? Muito bom!
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