Cenas do cotidiano - um bom treinamento para o olhar
Publicado quinta-feira, 20 de novembro de 2014


Um tema para aguçar o olhar fotográfico é o cotidiano. Em cursos especiais de fotografia nos anos 1970, esse era o tema mais exigido para formação completa do fotógrafo.

Atualmente não se fala mais nisso. Ou devido a falta de conhecimento dos novos professores de fotografia, ou pelo avanço da tecnologia que é mais valorizada.

Pena ! Pois, cada ano que passa, cenas do dia a dia ficam mais empobrecidas.

Voltando aos anos 1970, o slogan mais comum no meio do cinema e da fotografia, era “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. Simples, não ?

Assim aprendi em cursos com os mestres do cinema Abrão Berman e da linguagem fotográfica, Clovis Loureiro. Épocas em que existiam profissionais específicos para cada tema. Os cursos mais procurados eram: esporte, cotidiano, fotografia de cinema, contra-luz, macro e micro fotografia, fotografia cirúrgica, entre outros.

A foto postada, fiz neste ano na Estação Rodoviária de Rio Preto, SP.

É uma cena comum.

Sua leitura: um homem descansa na escada. Outro observa o movimento. Uma pessoa com sandálias de borracha, quebra a direção de seus olhares, dando um movimento à cena. O posicionamento do corrimão da escada, é uma “seta” à leitura dos fatos.

O comentário acima, é meu pessoal. Mas, às vistas de outros fotógrafos do cotidiano, “mil” formas de análises e leituras do quadro são possíveis.

Muitos fotógrafos rio-pretenses da velha geração, na ativa, com boa formação em linguagem fotográfica, sabem perfeitamente o que está dito acima. Cito alguns, como o Kharfan, Calixto Jr, Jorge Thomé e Rui Barbosa.

Em tempo: um dos fotógrafos da cidade que mais explorou cenas do cotidiano, foi o saudoso Eduardo Secco. Ao contrário de Edson Baffi e Jayme Colagiovanni que escreveram nossa história política e cultural com suas câmeras e sabiam muito sobre cenas do cotidiano, Secco tinha um “felling” especial em captar imagens do dia a dia como ninguém. Mesmo sem estudos de técnicas aprimoradas, Secco era respeitado por todos por transformar cenas comuns em imagens impactantes.

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